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PCH DO TIGRE


Imagem aérea da localização esquemática da PCH (Fonte: Projeto Básico, adaptado pelo coordenador do RAS)


Oriundo do nome da empresa: TIGRE PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA LTDA - CNPJ: 05.545.260/0001-66. A PCH do Tigre está localizado no Rio Marrecas,  município de Mangueirinha Estado do Paraná.

A potência instalada prevista neste aproveitamento é de 9,00 MW, que possibilita uma geração média anual esperada de 48.655 MWh/ano ou 5,55MWmed.


Muitos estudos de análise dos aspectos faunísticos, florísticos, de uso do solo, social, fatores antrópicos, foram realizados. 

A presença faunística foi avaliada via investigação de pegadas, indícios avistamentos, vocalizações, presença de ninhos, entrevistas com moradores, revisão bibliográfica, etc. Na área diretamente afetada para a formação do lago, encontram-se apenas a faixa de proteção ciliar do rio, passível para sustentar algumas espécies mais plásticas e resistentes a antropização.

ASPECTOS LEGAIS 

No cenário de crise energética, ocorrido em 2001, as pressões para facilitar o processo de licenciamento ambiental de empreendimentos geradores de energia culminaram na Resolução CONAMA nº 279, de 27 de junho do citado ano. De acordo com os objetivos.

- Direitos e Deveres Individuais e Coletivos; 
- Proteção do Meio Ambiente, em geral; 
- Flora, Fauna e Unidades de Conservação; 
- Recursos Hídricos; 
- Compensações; 
- Licenciamento Ambiental.

TOMADA D’ÁGUA

Devido aos fatores limitantes para montante, bem como o fator custo total do barramento, adotou-se como altura máxima à cota 901,00. Neste nível é formado um lago com espelho d’água de 41,66ha, dos quais 8,32ha correspondem a calha natural do rio. O lago seria rodeado por uma faixa de proteção permanente proposta de 19,8ha em se considerando uma faixa de 30,0m. Nenhuma benfeitoria foi diretamente atingida, pois não há moradores próximos as margens onde os alagamentos naturais são freqüentes. 

As características do reservatório foram bem avaliadas quanto aos aspectos de depleção ótima, tempo de esvaziamento, tempo de enchimento, remanso, assoreamento entre outros. O lago deverá tomar um tempo de enchimento estimado em 394 horas em se liberando a jusante do valor 3,04m³/s, para uma condição de afluência igual à vazão 70% de permanência, no caso 3,40m³/s. Nesse sentido o tempo de enchimento pode ser controlado, em caso de afluência alta, através da abertura da comporta. 

O tempo de esvaziamento também foi verificado para o consumo do volume útil do reservatório em regime de operação a plena carga, frente à afluência desfavorável, resultando um tempo de 13,9h para a vazão 90% de permanência – 3,4m³/s. Quanto aos níveis a serem atingidos para montante visando a passagem da onda de cheia pelo vertedor, verificou-se que não há necessidade de adoção de comportas ou outros dispositivos para aumentar a capacidade de vertimento da usina. Os cento e setenta metros de soleira livre são suficientes para o escoamento da cheia milenar de 553m³/s com uma lâmina d’água aceitável para uma pequena central hidrelétrica – 1,30m. Os estudos de remanso efetuados não indicaram nenhuma interferência maior para montante. Assim as interferências com o ambiente na região do lago ocorreriam em cheias excepcionais, poucas vezes ao ano e em área desocupada. 

CANAL DE ADUÇÃO 

O traçado do canal adutor com 1050m de extensão deve encontrar uma fundação estável em todo o trecho, pois foi projetado semi-encaixado em uma camada favorável geologicamente, com solo bem drenado passando gradativamente a rocha basáltica ácida. As sondagens a poços efetuadas indicaram uma horizontalidade típica dos derrames basálticos sendo que o canal deve ser revestido no seu trecho em solo e sofrer tratamento no trecho em rocha, evitando perdas de água e desestabilização da encosta, em todo o seu percurso. 

O canal foi projetado em seção trapezoidal com uma base de 4,00m e uma profundidade média de 2,5m. Como seu traçado prevê corte em rocha, deve ser executado um bom pré-fissuramento visando definir as paredes de corte. 

CASA DE FORÇA E CANAL DE FUGA

A casa de força da PCH do Tigre foi estudada para abrigar os conjuntos geradores em um arranjo compacto, seguro e prático. O local previsto para a implantação da casa de máquinas apresenta-se favorável quanto aos aspectos de proteção e fundações. A fundação se dará toda em rocha basalto compacta, cujo topo rochoso encontra-se raso, cerca de 4,5m de profundidade, coberto por solo coluvial e matacões.

A barragem e o circuito hidráulico, inclusive casa de força, ficariam posicionados em terras de propriedade dos senhores João Jaime Denardim e Umberto José Denardim, sócios da empresa Tigre produção de Energia Elétrica Ltda, sendo que os proprietários exercem intensa atividade agrícola e pecuária na fazenda.

Segundo o projeto as condições de acesso são favoráveis e o posicionamento da subestação pode ser feito contíguo à casa em cota a salvo da enchente milenar. A casa de força da PCH do Tigre foi projetada para abrigar os conjuntos geradores, atendendo aos critérios de altura de sucção dos equipamentos ao mesmo tempo que protegida para condição de cheia milenar, evitando seu alagamento interno. O canal de fuga deverá ser escavado em solo e rocha devido ao posicionamento da casa de força pouco recuada do rio. Está prevista uma seção trapezoidal e o comprimento total será de 40m. A elevação do nível de água atingirá a cota 818,32 para a enchente milenar.

Trecho do rio Marrecas, demonstrando a inclinação das margens, com a calha do rio inserido no fundo do vale e uma das quedas ao fundo (vista a jusante do barramento). Fonte: Projeto Básico, adaptado pelo coordenador do RAS

DESVIO DO RIO

O desvio do rio para a implantação do barramento deve ocorrer em duas fases, utilizando-se de ensecadeiras e uma estrutura com adufas em concreto, locada sobre a margem direita. A vazão mínima de desvio considerada é a de 2 anos de recorrência correspondendo a 100m³/s. Os dimensionamentos de desvio indicaram vazões bem mais elevadas. 

O acesso natural ao local do eixo se faz por ambas as margens. Na região do canteiro de obras, a construção de uma ponte provisória cruzando o rio Marrecas para sua margem esquerda viria a facilitar o tráfego da obra. Opcionalmente uma grua poderia ser empregada, associada a uma passarela para pedestres. Na primeira fase será construída uma ensecadeira pela cota 899,40m, enlaçando a margem direita, possibilitando a construção a seco da ombreira esquerda da barragem - vertedor, do bloco das adufas de desvio e da tomada de água do canal. 

TURBINAS DA PCH 


Foram estudadas várias possibilidades de turbinas e arranjos para a potência final a ser instalada de 9,00MW, para a queda líquida calculada de 84,30m. Turbinas tipo Francis seriam as mais adequadas para esta queda e vazão. 

A turbina Francis simples resultaria em um conjunto com rotação adequada, no caso 600rpm. Para as turbinas Francis duplas pode-se chegar a uma rotação do conjunto de 900rpm, o que é interessante frente aos custos dos equipamentos geradores, prevendo-se maior economia. Entretanto turbinas com rotor duplo operando em alta rotação podem sofrer interferências dentro da câmara de sucção, no trecho onde a descarga encontra o eixo.

VAZÕES DE CHEIA NA PCH DO TIGRE 

No caso particular da PCH do Tigre, além da questão do barramento, desvio do rio e vertedouro, a preocupação maior é com a cota de proteção segura para a casa de força, evitando que uma enchente venha a alagar seu interior, causando danos ao equipamento elétrico com posteriores paradas na produção de energia.     

USOS DA ÁGUA 

As principais vocações da micro-bacia do Rio Marrecas são basicamente para aproveitamento hidrelétrico de pequeno porte, devido a margens muito íngremes e sinuosidades elevadas, aproveitamentos com circuitos hidráulicos mais longos, configuram como economicamente inviáveis. 

Não foi detectada ocupação ribeirinha dentro (ou na área de influência direta) do reservatório, motivada principalmente pelo regime do rio Marrecas com cheias freqüentes, impedindo a ocupação humana próxima das margens. 

Conforme o projeto as cachoeiras e corredeiras atualmente não são frequentadas devido à inexistência de acessos e infra-estrutura, fato que impede também a navegação de embarcações de médios e grandes portes por longos trechos, porém para esta atividade não existe uma demanda local.

AVALIAÇÃO DO IMÓVEL 

A PCH do Tigre está sob uma área de três diferentes propriedades, que serão atingidas pela construção e pela formação do lago. As informações na tabela abaixo apresentam as propriedades afetada, com o nome ou identificação dos proprietários (identificados a partir de levantamento de campo), área alagada e de recomposição da mata ciliar (APP) em cada imóvel. Todas as propriedades que estão localizadas nos limites do município de Mangueirinha. A empresa executora não possui a posse de nenhuma das propriedades, sendo que uma das áreas o proprietário será indenizado posteriormente, e, nas demais, os proprietários fazem parte do corpo acionista da PCH. 




Mata Ciliar do Rio Marrecas, a jusante do barramento.
Foto: Luiz Gustavo E. Valle
. Coord UTM 22J: 382.036L; 7.117.925S


Vegetação nativa ciliar, a jusante do barramento, nota-se o estado avançado de regeneração e o relevo acentuado.
Fonte: Luiz Gustavo E. Valle
Coord UTM 22J: 382.361L; 7.119.099S

 Vegetação nativa ciliar degrada/antropizada classificada como mata secundária Média e Inicial na margem direita do Rio Marrecas, município de mangueirinha - PR.
Fonte: Vitor Campos (2010)
 . Coord UTM 22J: 381.901L - 7.117.759S






 
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