Professora Margareth Milani atua na área há 14 anos (Foto:Cristiane Sabadin Tomasi)
Margareth participou da gravação do programa Altas Horas, da Rede Globo, junto com alunos do terceirão do Colégio Estadual La Salle e demais professores. A turma viajou para São Paulo na quarta-feira, dia 1º de junho, e além de fazer parte da plateia de Serginho Groismann, conheceu instalações do Projac.
Entre os convidados da noite estavam Letícia Sabatella, Márcio Garcia, a modelo Isabeli Fontana e o músico Di Ferrero, da banda NX Zero, e um dos assuntos colocados em pauta foi a “cultura do estupro” e a violência contra a mulher – que repercutiu na mídia após o estupro coletivo no Rio de Janeiro, contra uma menina de 16 anos.
A professora deu seu depoimento sobre os preconceitos que cercam as mulheres e as questões de gênero e arrancou aplausos do público, mas não imaginava que ganharia tamanha repercussão fora dali. O vídeo com o depoimento de Margareth caiu na internet e até esta terça-feira, dia 7, já passava de 65 mil visualizações.
Na página social da diretora Marli Sauthier, vários alunos, professores e pais deixaram comentários elogiando a atitude de Margareth, que com coragem expôs sua opinião em rede nacional. “Quando escutei a voz, olhei rapidamente para a TV, e lá estava ela, a amiga Margareth, a ex-professora de meu filho, a cidadã pato-branquense ou simplesmente mulher... falando e emocionando a todos. Parabéns pelo posicionamento e por defender com personalidade e garra sua opinião, mesmo diante das consequências”, postou Kátia Saionara.
Entre as centenas de comentários, um chama a atenção. “Orgulho em ter sido minha professora, inclusive na escola em que teve esse pensamento, e provavelmente fui considerada uma das alunas que ia seduzir os colegas”, finalizou Bruna Spader, com a hastag “me representa”.
O próprio apresentador Serginho louvou a atitude de Margareth, com as seguintes palavras: “Muito obrigado. Quando a gente fala dos professores, você representa com muito orgulho, todos eles, os bons professores.”
Reflexão
Apesar de ter a exata noção da importância de suas palavras, a professora contou à reportagem do Diário do Sudoeste que não imaginava que alcançaria tamanha divulgação. “Quando falei no programa não fazia ideia alguma da dimensão, mas o que disse no vídeo é extremamente verdadeiro.”
Margareth, que não gosta de ver sua imagem na internet, ficou feliz em ver seu nome envolvido em uma discussão tão positiva e essencial à sociedade. “Vincular o meu nome, com algo que traga para as pessoas alguma lição e conhecimento, me agrada.”
Fã confessa de Letícia Sabatella, a professora revelou ao jornal o que as câmeras do programa não registraram. Numa conversa rápida e reservada, a atriz disse a Margareth sobre a emoção que sentiu ao ouvir suas palavras, do orgulho que tinha de poder lhe conhecer e ainda lhe presenteou com sua echarpe. Para a educadora, uma recompensa tão grande quanto ao ver seus alunos emocionados.
Confira trechos do depoimento
“Eu trabalhava numa escola, na minha cidade, que inclusive era administrada por mulheres. E em um conselho de classe que a gente faz, eu me deparei com professores falando que as alunas iam para a escola com a roupa apertada para assediar os alunos, os meninos, e que eles se sentiam assediados e tinham vontade de passar a mão nas meninas. E se eles passassem as culpadas seriam elas.
Minha atitude foi a seguinte: eu não gostaria de discutir isso, independente da roupa que você esteja usando, não dá o direito de a pessoa falar ou tocar em você, de maneira alguma.
Isso foi numa reunião de conselho de classe de finalização do ano e no mesmo dia recebi a notícia de que estaria sendo desligada da escola.
É claro que quando você é desligada, ganha a conta de uma empresa, ela não precisa te dizer por que está fazendo isso, mas eu quis perguntar. A desculpa era tão sem cabimento que cheguei à conclusão que era por causa daquele fato. Na formatura dos alunos eu tinha sido a professora homenageada, madrinha da turma, então, não teria por quê.
Eu vi também agora, pelas redes sociais, e ouvi da boca das mulheres, que essa menina provocou isso, a menina dos 33 estupradores, e eu fico muito indignada.
Eu trabalho com os meus alunos as questões de gênero, eu luto pelas minhas alunas. Quando eu era criança vi muita coisa e também já fui assediada.
Falo para meus alunos, especialmente para todos os meninos da turma: eles podem não aprender nada de História, de conteúdo, mas se eles passarem por mim e ainda tiverem qualquer preconceito, não digam que foram meus alunos.”
Por Cristiane Sabadin Tomasi
Fonte: Diário do Sudoeste
