Toledo é a única cidade que teve o fenômeno; hoje a tendência é de baixas temperaturas e geada forte
Guarapuava amanheceu coberta de neve; cidade registrou o maior acúmulo do fenômeno
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Depois de algumas previsões frustradas, finalmente a neve caiu no Paraná. O Estado era o único da região Sul que ainda não tinha registrado o fenômeno neste ano. Mas na madrugada de ontem, os flocos coloriram de branco as cidades de Palmas, União da Vitória, General Carneiro, Irati, Turvo,
Paula Freitas, Toledo, Guaraniaçu, Araucária, Curitiba, São José dos Pinhais e Lapa, entre outras.
Guarapuava, no Centro-Sul, foi o grande destaque, com o maior acúmulo de neve do Estado. A temperatura na cidade chegou a -0,5ºC grau. Além disso, 26 cidades tiveram ocorrência de neve ou chuva congelada.
No Oeste, a única ocorrência de neve foi em Toledo, que, segundo o Simepar (Instituto de Meteorologia do Paraná), teve pequenos flocos em meio à chuva congelada. “São alguns minigranizos translúcidos congelados pelo que vimos nas imagens mandadas ao instituto. No entanto, percebemos pequenas gotículas de neve que parecem pedaços de algodão”, explica a técnica em meteorologia Vanessa D’Ávila.
A neve no Paraná foi causada por uma forte massa de ar frio continental que avançou com força pelo Estado. Além da forte intensidade, a maior dos últimos anos, o ar polar atuou no Paraná e em Santa Catarina com um sistema frontal, responsável pelo aporte de umidade.
De acordo com o Simepar, antes disso o último registro de neve no Paraná datava de 2 de agosto de 2011, no município de Palmas. Na época, pequenos flocos de neve foram registrados, mas bem ínfimos se comparados aos registros deste ano. Já a capital Curitiba, por exemplo, não via neve há 38 anos.
Conforme as estações meteorológicas do Simepar, as temperaturas mais baixas foram registradas em Entre Rios, com -2ºC, Inácio Martins, -2,2 e Clevelândia, -2,1C. Já a sensação térmica foi recorde em Palmas, com -8,3ºC, e Guarapuava, com -7,3ºC.
Divulgação
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Temporada gelada
Aos paranaenses que já estão cansados do frio, a notícia não é das mais agradáveis, uma vez que o frio intenso já bate recordes históricos e se configura como o mais rigoroso dos últimos 13 anos, conforme aponta o Simepar. Embora a neve dê trégua, a geada tomará conta de todo o Paraná, com variações de moderada a forte de hoje a quinta-feira.
Segundo o Simepar, a previsão indica temperaturas extremamente baixas em grande parte do Estado, com mínima de -3ºC e máxima de 10ºC. Geadas generalizadas são previstas para praticamente todo o Paraná, inclusive na faixa norte. No litoral, as temperaturas ficarão baixas também, mas com mais umidade. No Oeste deverá gear. As temperaturas devem começar a aumentar a partir de sábado.
Região Sul
A massa de ar polar que passou pela Argentina antes de chegar ao Brasil, no fim da semana passada, fez nevar em ao menos 87 cidades do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. A onda de frio, que atinge Sul, Sudeste, Centro-Oeste e até dois estados do Norte do País (Acre e Rondônia), é a mais prolongada dos últimos 13 anos, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). Somente em julho do ano 2000 houve temperaturas tão baixas registradas por tantos dias consecutivos.
Alerta Geada
O Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) e o Simepar informaram ontem sobre a previsão de geadas em toda a zona cafeeira do Estado. A recomendação aos produtores foi de fazer imediatamente o “chegamento” de terra nos troncos dos cafeeiros com idade entre seis e 24 meses. Essa proteção deve ser mantida até meados de setembro e, depois, retirada com as mãos. Mais informações no www.iapar.br ou pelo telefone (43) 3391-4500.
O Paraná terá capacidade para prever com até três dias de antecedência os eventos meteorológicos e potenciais desastres naturais. Atualmente, a antecedência é de um dia. O novo prazo, inédito no Brasil, foi anunciado pelo governador Beto Richa no Dia Mundial do Meio Ambiente.
Agricultura pode ter quebra de até 50%
Como previsto, houve formação de geada fraca na madrugada de ontem em alguns pontos da região Oeste. Dos 28 municípios que fazem parte do núcleo regional da Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná) de Cascavel, onde há plantações de trigo e aveia em pleno desenvolvimento, corre-se o risco de contabilizar perdas de até 50%. Os riscos se potencializam hoje e amanhã, quando poderá gear mais forte.
A área plantada hoje em toda a regional soma 84,5 mil hectares com trigo, 1,5 mil hectares com aveia branca para consumo humano e 20,4 mil hectares com aveia preta usada para consumo animal. Essas áreas respondem por quase 10% da produção total do Paraná.
A indicação é de que pode haver tanto a formação da geada simples quanto a temida geada negra, que é imperceptível aos olhos mas causa danos irreversíveis no campo já que fecunda com profundidade o solo e queima completamente a planta.
Praticamente todas essas culturas ainda estão muito suscetíveis ao clima. Boa parte das lavouras, como a do trigo, está na fase de floração e frutificação, considerada mais cautelosa em momentos de frio extremo.
Segundo a agrônoma do Deral (Departamento de Economia Rural), Jovir Esser, se as previsões climáticas se mantiverem, as perdas serão cada vez maiores. “A geada negra age com mais intensidade e mata completamente a planta. Se chover em seguida, aí os prejuízos serão incalculáveis. A última geada negra que afetou de forma generalizada o Paraná foi em 1975, quando houve a erradicação de todos os cafezais na região Norte”, comenta.
Quanto ao frio de ontem, o Deral precisará de mais alguns dias para avaliar os danos no campo.
fonte: O Paraná
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Até mesmo os caninos posaram em frente à neve |
Estação Ferroviária da Ferroeste em Guarapuava ficou coberta pelo gelo
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