| No começo de julho, Andrielle foi submetida a um transplante autogênico no Hospital Celso Ramos. |
Em janeiro deste ano, a beltronense Andriélle Mundini Delazari, 23 anos, descobriu que tem leucemia. Ela está morando há mais de três anos em Florianópolis (SC). Seus pais, Antônio e Elenir, continuam morando em Francisco Beltrão, mas a mãe largou todos os seus compromissos para cuidar da filha desde que ela foi internada.
Depois de passar por três sessões de quimioterapia, ela foi submetida a um transplante autogênico (autotransplante de medula) no dia 4
de julho. Andriélle ainda permanece internada e precisando urgentemente de um doador de medula óssea. "A gente sabe que a probabilidade de encontrar um doador compatível é de uma em cem mil, mas temos que tentar sempre. Somente quem tem um caso de leucemia na família sabe da importância de se cadastrar como doador de medula óssea, é um gesto simples que pode salvar vidas", comenta Elenir.
Segundo Lorise Faust, enfermeira do Hemonúcleo de Francisco Beltrão, esses casos como o de Andriélle sensibilizam a população em relação à doação de medula óssea. "A gente vê que quando tem um caso como esse, as pessoas buscam mais informações, acabam aceitando mais fazer o cadastro. Mas mesmo assim é um trabalho de formiguinha, que evolui aos poucos", comenta.
Somente 2%
Segundo Lorise Faust, apenas 2% dos doadores de sangue dos 27 municípios do Hemonúcleo de Francisco Beltrão são também cadastrados para serem doadores de medula óssea. "Algo que atrapalha um pouco é a questão da idade, pois para doar sangue tem que ter entre 16 e 67 anos e, para doar medula, tem que ser entre 18 e 55 anos de idade. Mas, mesmo assim, existe um potencial muito grande a ser explorado", acrescenta.
A enfermeira afirma que o grande problema são os mitos criados sobre os transplante de medula óssea. "Muita gente acha que o transplante é perigoso, que dói ou que tira parte da espinha, mas isso não é verdade. É tirado do doador 10% das células que ficam no interior dos ossos pélvicos, requer uma anestesia geral e uma breve hospitalização. Em 14 dias a medula óssea do doador está normal de novo. Só que a vida de quem recebeu a doação vai mudar completamente", relata.
Como ser doador?
Primeiro é preciso manifestar o interesse no Hemonúcleo, então é feito um cadastro e uma coleta de 4 mililitros de sangue para análise. Se achar alguma pessoa compatível, o que é bastante raro, o candidato a doador é chamado para fazer uma nova amostra de 10 ml. Somente se houver sucesso nesta nova etapa é que acontece o transplante, isso se o doador aceitar.
do Jornal de Beltrão
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